Do vulcão de Santorini às encostas frescas da Macedônia, a Grécia cultiva mais de 300 castas autóctones, um patrimônio genético que sobreviveu a impérios, guerras e à filoxera, e que o mundo do vinho só agora redescobre. Entre elas, cinco definem o vinho grego moderno e estão presentes na curadoria da Monte Dictis, importadas diretamente dos produtores.
1. Assyrtiko, a alma vulcânica

Nascida em Santorini, sobre solos de lava e pedra-pomes imunes à filoxera, a Assyrtiko é considerada uma das grandes uvas brancas do mundo: mineralidade cortante, salinidade e uma acidez que se mantém elétrica mesmo sob o sol do Egeu, além de rara capacidade de envelhecer. Em nossa loja você a encontra em duas expressões opostas e fascinantes: a versão insular da Gavalas Winery, família que vinifica em Santorini desde o século XIX, e a leitura continental de altitude da Alpha Estate, com o Ecosystem Assyrtiko do bloco ‘Aghia Kiriaki’, em Florina. Na mesa: ostras, peixes grelhados, ceviche e queijos de cabra.
2. Xinomavro, o “Nebbiolo grego”

Tânica, longeva e aromaticamente complexa (tomate seco, azeitona, rosas), a Xinomavro é a casta tinta mais nobre do norte da Grécia, frequentemente comparada ao Nebbiolo de Barolo. Em Amyndeon, planalto entre 620 e 710 metros onde as noites frias fixam aroma e cor, a Alpha Estate assina o Xinomavro SV ‘Hedgehog’ DOP Amyndeon, de vinhas velhas em pé-franco, um tinto de guarda que impressiona qualquer apreciador de Piemonte. Na mesa: cordeiro, cogumelos, massas com molhos de tomate concentrados e queijos curados.
3. Agiorgitiko, o veludo de Nemea
A tinta mais plantada da Grécia dá vinhos macios, frutados e gastronômicos na lendária região de Nemea, no Peloponeso, onde, segundo o mito, Hércules enfrentou o leão. Taninos aveludados e fruta vermelha generosa fazem dela a porta de entrada perfeita para os tintos gregos. Prove o clássico Ktima Driopi Nemea DOP, projeto do renomado enólogo Yiannis Tselepos, ou as leituras modernas da Strofilia, como o Mountain Fish e o Nemea DOP. Na mesa: carnes assadas, moussaká, feijoada leve e queijos semiduros.
4. Moschofilero, o aroma do Peloponeso
De casca rosada e perfil intensamente floral (rosas, cítricos), a Moschofilero cresce no planalto fresco de Mantineia, a 650 metros, onde a colheita tardia preserva seu perfume delicado. Produz brancos leves, aromáticos e de álcool moderado, perfeitos para o clima brasileiro. Na Monte Dictis, aparece no portfólio Monopati e em cortes charmosos como o White Dot da Strofilia. Na mesa: saladas, sushi, frutos do mar e aperitivos.
5. Malagouzia, a ressuscitada
Praticamente extinta nos anos 1970, a Malagouzia foi resgatada por viticultores visionários e virou uma das brancas mais queridas da Grécia: exuberante, com pêssego, flores brancas e ervas frescas. O Alpha Malagouzia SV ‘Turtle’ IGP Florina é hoje um dos rótulos mais premiados da casta, prova de que uma uva pode voltar dos mortos e conquistar o mundo. Na mesa: frango grelhado, comida tailandesa, ceviche e queijos frescos.
E este é só o começo
Vidiano, Kotsifali, Mandilari, Dafni, Plyto, Melissaki (as raridades cretenses da Lyrarakis), Roditis, Savvatiano, Mavrodaphne… A lista de castas gregas que merecem sua taça é longa, e seguiremos apresentando cada uma delas aqui no Diário Grego.
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