Em Santorini, o vento não é uma metáfora: o meltemi varre a ilha vulcânica com tanta força que uma videira “normal”, conduzida em espaldeira, simplesmente não sobreviveria. A resposta dos viticultores locais, aperfeiçoada ao longo de séculos, é uma das imagens mais extraordinárias do mundo do vinho: a kouloura.
Uma cesta viva

Na poda em kouloura (também chamada de ampelia), os ramos da videira são trançados à mão em forma de espiral, ano após ano, até formarem uma coroa baixa que lembra um cesto de vime. Os cachos crescem dentro da cesta, protegidos do vento, da areia vulcânica e do sol impiedoso do Egeu. A folhagem externa funciona como escudo; o interior, como um microclima úmido que captura o orvalho da noite e a névoa marinha, praticamente a única “irrigação” numa ilha onde quase não chove no verão.
Vinhas centenárias em pé-franco

O solo de Santorini, cinza vulcânica, pedra-pomes e lava da grande erupção de cerca de 3.600 anos atrás, tem outra particularidade: a filoxera, praga que devastou os vinhedos do mundo no século XIX, nunca conseguiu se estabelecer nele. Por isso as videiras da ilha crescem em pé-franco, sem porta-enxerto americano, e os sistemas de raízes podem ter séculos de idade. Quando uma kouloura envelhece demais, o viticultor a corta e deixa a mesma raiz rebrotar, um ciclo que conecta cada taça a gerações de trabalho manual.
O que isso significa no copo
Desse cenário extremo nasce a Assyrtiko mais tensa e mineral do planeta, salina, cortante, inesquecível, e o lendário Vinsanto, vinho doce de uvas passificadas ao sol que já era exportado pelos venezianos. Baixíssimos rendimentos, colheita manual e viticultura heroica explicam por que os vinhos de Santorini são raros e cobiçados.
Como beber Santorini

O Assyrtiko de Santorini pede mesa: ostras e frutos do mar crus, peixes grelhados com azeite e limão, ou um clássico grego como polvo assado. Sirva entre 10 e 12°C, e, se puder, guarde uma garrafa por alguns anos: poucos brancos do mundo envelhecem com tanta dignidade. Já o Vinsanto, com seus aromas de damasco, mel e especiarias, brilha com sobremesas de frutas secas, queijos azuis ou simplesmente sozinho, no lugar da sobremesa.
Prove Santorini na sua taça
Na Monte Dictis você encontra os vinhos da Gavalas Winery, família que cultiva kouloura em Megalochori desde o século XIX, e do projeto Mikra Thira, na vizinha ilha de Therasia, ambos importados diretamente dos produtores. Explore também nossa seleção completa de vinhos gregos e leia mais histórias como esta no Diário Grego.




